quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Juno

Juno, Jason Reitman, EUA / Canadá / Hungria, 2007




Juno surge de um argumento aparentemente simples: Juno MacGuff (Ellen Page) é uma adolescente de 16 anos que fica grávida na primeira vez com o namorado Bleeker (Michael Cera). Parece simples, e é. E esse é um dos maiores trunfos de Juno, sua simplicidade.
Desde o princípio, a protagonista não parece se importar muito com a sua situação (ela sempre se refere ao bebê como “isso”, “a coisa”). Primeiro ela se confronta com o fato de levar adiante ou não a gravidez. Quando a decisão é tomada, ela precisa se preocupar com o destino do bebê. É quando surgem Mark (Jason Beitman) e Vanessa (Jennifer Garner), os pais adotivos encontrados por Juno e sua amiga Leah (Olívia Thirlby).
O casal escolhido tem boas condições financeiras mas estão em uma relação delicada pois Mark não está seguro do que é ou do que quer ser (o estilo de vida que ele leva aparentemente é imposto por Vanessa já que ele ainda não se desprendeu totalmente da fase adolescente) e Vanessa tem 100% de certeza do desejo de ser mãe - o que por vezes chega a ser irritante, mas seu desejo é sincero e é a mesma sinceridade que Juno sente ao vê-la brincando com a filha de uma amiga no shopping: ela sabe que desde o começo o bebê “sempre foi dela”.
Mas o filme, assim como a própria Juno, não quer discutir a gravidez ou a adolescência, ou ambas: Juno é simplesmente uma adolescente com todas as suas confusões, ela demonstra isso quando diz ao pai “I don´t really know what kind of girl I am” (“Eu não sei exatamente o tipo de garota que sou”). É durante o filme - que se passa ao longo da sua gravidez - que se desenvolvem suas dúvidas sobre o amor, os relacionamentos e como eles se sustentam. Quando ela passa a se perguntar se duas pessoas podem ficar juntas para sempre é quando as coisas começam a ficar mais claras pra ela e para o expectador.
O texto de Diablo Cody (que já foi stripper, blogueira e operadora de tele-sexo) é afiadíssimo e se encaixa perfeitamente em cada um dos personagens, conseguindo extrair humor desde as cenas (que pelo menos deveriam ser) mais tensas - como quando Juno resolve contar aos pais que está grávida - até as cenas mais triviais.
Juno é deliciosamente divertido (sem o compromisso de o ser) e surpreende o expectador no sentido de que quando você acha que as coisas vão tomar outro rumo, elas vão para um outro lugar que nunca é o que se espera, e tudo isso sem fazer reviravoltas desnecessárias. Com sensibilidade e inteligência dosa o humor e o drama sem ser apelativo ou meloso.
A trilha sonora mescla clássicos como David Bowie, Lou Reed e The Kinks aos moderninhos do Belle & Sebastian e Cat Power. A trilha se encaixa perfeitamente em todas as cenas, tornando o filme ainda mais agradável e transmitindo exatamente o clima de cada cena.
Como uma produção independente - com orçamento de aproximadamente US$ 7,5 milhões - Juno conseguiu 4 indicações ao Oscar (Melhor Filme, Direção, Atriz e Roteiro - levou o de melhor roteiro). Sua simplicidade e bom humor, que se sustentaram nas mãos da direção competente de Jason Reitman (de “Obrigado por Fumar”), tornaram Juno um grande filme, mesmo sem a pretensão de o ser.

4 comentários:

Paixão, M. disse...

Obrigado por Fumar é o filme que boicotou Dolls e que vc não quis ver com a gente, rsrsrs.

Você é minha crítica de cinema favorita. Põe todo mundo no chinelo. Não tem pra Ruy nem pra Isabela Boscovi (chataaa).

e Juno é lindo.

:***

garota do copo d´água disse...

pqp vc é minha amiga e não vale
thanks anyhow
e dolls é muito bom

Hiei disse...

minha crítica favorita também, mocinha. vou ganhar muito dinheiro com ela ainda.
=)

Rodrigo disse...

Ahahahahahahaha: found ya!